Capo Verde

Desemprego bate recorde e afecta 14,3% da população do Brasil

Expresso das Ilhas - 3 ore 56 min fa

De acordo com o IBGE, entre a terceira e a quarta semana de agosto o número de desocupados no país aumentou 1,1 milhão de pessoas, com o que a taxa de desemprego passou de 13,2% para 14,3%, a maior desde maio deste ano, quando estava em 10,5%.

No início de maio a maior parte da população brasileira estava isolada em confinamento voluntário e não procurava emprego, mas desde o início de junho a diminuição das medidas de restrição e isolamento social fez subir a demanda por trabalho.

“O mercado de trabalho estava em ritmo de espera para ver como as coisas iam se desenrolar. As empresas estavam fechadas e não tinha local onde essas pessoas pudessem trabalhar. Então, à medida que o distanciamento social vai sendo afrouxado, elas vão retornando ao mercado de trabalho em busca de atividades”, frisou Maria Lucia Vieira do IBGE.

O número de pessoas confinadas caiu 6,5% na última semana do mês anterior, passando de 41,6 milhões de pessoas confinadas para 38,9 milhões de pessoas entre 23 e 29 de agosto.

O IBGE apontou ainda que, no mesmo período, manteve-se estável o número de pessoas que ficavam em casa e só saiam por necessidade, 88,6 milhões de pessoas, o equivalente a 41,9% da população do país.

O Brasil, um dos países mais afetados pela pandemia provocada pelo novo coronavírus, é o segundo mais afetado em número de mortes pela doença no mundo, com cerca de 135.000 óbitos, e o terceiro com o maior número de infeções, com mais de 4,4 milhões de casos diagnosticados.

A pandemia atingiu o Brasil em um momento em que o país ainda sofria os efeitos da forte crise económica registada entre 2015 e 2016, quando seu Produto Interno Bruto (PIB) recuou sete pontos percentuais.

Desde então, a economia brasileira tem crescido cerca de 1% ao ano, mas essa tendência será interrompida este ano devido ao impacto da pandemia, que causará um novo colapso na economia local que, de acordo com as últimas projeções, ficará em torno de (-5%).

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Mais de 950 mil mortos e 30,5 milhões de infetados em todo o mundo

Expresso das Ilhas - 4 ore 3 min fa

De acordo com o balanço da agência francesa de notícias, hoje às 11:00 TMG (10:00 em Cabo Verde), já morreram pelo menos 953.025 pessoas e 30.556.040 foram infetadas em 196 países e territórios desde o início da epidemia de covid-19, em dezembro de 2019, na cidade chinesa de Wuhan.

Pelo menos 20.629.000 pessoas já foram consideradas curadas pelas autoridades de saúde.

O número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do número real de infeções. Alguns países testam apenas casos graves, outros priorizam o teste de rastreamento e muitos países pobres têm capacidade limitada de teste.

Na sexta-feira, 5.813 novas mortes e 331.948 novos casos foram registados em todo o mundo.

Os países que registaram o maior número de novas mortes nos seus últimos relatórios são a Índia com 1.247 novas mortes, os Estados Unidos (880) e o Brasil (858).

Os Estados Unidos são o país mais afetado em termos de mortes e casos, com 198.597 mortes em 6.725.044 casos, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins. Pelo menos 2.556.465 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são Brasil com 135.793 mortes para 4.495.183 casos, Índia com 85.619 mortes (5.308.014 casos), México com 72.803 mortes (688.954 casos) e o Reino Unido Unidos com 41.732 mortes (385.936 casos).

Entre os países mais atingidos, o Peru é o que declara o maior número de mortes em relação à sua população, com 95 mortes por 100.000 habitantes, seguido pela Bélgica (86), Espanha (65), Bolívia (65) e Brasil (64).

A China (excluindo os territórios de Hong Kong e Macau) contabilizou oficialmente um total de 85.269 casos (14 novos entre sexta e sábado), incluindo 4.634 mortes e 80.464 recuperações.

A América Latina e as Caraíbas totalizaram 320.809 mortes em 8.636.686 casos no sábado às 11:00 GMT, a Europa 224.786 mortes (4.779.619 casos), Estados Unidos e Canadá 207.837 mortes (6.866.650 casos), a Ásia 123.321 mortes (7.077.509 casos), o Médio Oriente 41.741 mortes (1.771.780 casos), África 33.621 mortes (1.392.772 casos) e a Oceânia 910 mortes (31.029 casos).

O balanço foi realizado com base em dados recolhidos pelos escritórios da AFP junto das autoridades nacionais competentes e informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Devido a correções feitas pelas autoridades ou à publicação tardia dos dados, os números podem não corresponder exatamente aos publicados no dia anterior.

Em Portugal morreram 1.894 pessoas dos 67.176 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e que rapidamente se disseminou pelo mundo.

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DNA promove megacampanha de limpeza em Santiago e no Fogo

Expresso das Ilhas - 4 ore 7 min fa

Segundo o director nacional do Ambiente, Alexandre Nevsky, o objectivo é assinalar a importância da data e sensibilizar as pessoas sobre a necessidade da manutenção da limpeza das praias.

“Os municípios, durante as últimas chuvas, acabaram por receber lixo que veio nas enxurradas e para assinalar o dia Mundial da Limpeza das Praias, juntamos os esforços no sentido de passarmos esta mensagem de que uma praia bonita é uma praia que tem que estar limpa”, afirma.

“O mais importante não é voltarmos amanhã com mais voluntários, é não termos a necessidade de trazer esses voluntários para fazer a campanha de limpeza porque todos nós estamos conscientes de que as praias de mar não são lugar de lixo e assim conseguiremos resolver esta situação”, destaca.

De acordo com o director nacional do Ambiente, “havendo necessidade esta iniciativa será igualmente reforçada em outros locais do país”.

Esta campanha de limpeza foi feita pelo Ministério do Ambiente em parceria com as câmaras municipais e contou com a participação directa de mais de 400 jovens e de vários representantes da sociedade civil.

O Dia Mundial de Limpeza de Praias acontece todos os anos no mês de Setembro. Esse dia foi criado pela organização não governamental norte americana The Ocean Conservancy há 26 anos.

A instituição, fundada em 1975, teve a ideia de estabelecer uma data que fizesse parte do calendário para que as pessoas pudessem fazer algo de concreto pelo meio ambiente e com resultados imediatos, além de ampliar a conscientização das pessoas em relação ao lixo descartado inadequadamente e a poluição que isso gera e os recursos hídricos, um elemento de extrema importância a vida.

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CPLP procura estratégia para relançar indústrias culturais em ciclo de debates

Expresso das Ilhas - 5 ore 42 min fa

“A CPLP e os seus Estados-membros estão preocupados com este sector, que foi um dos muito afectados pela pandemia”, o director de Acção Cultural da CPLP, João Boaventura Ima-Panzo.

Este responsável falou à Lusa após a reunião virtual dos Pontos Focais da Cultura, que decorreu ontem  sob a coordenação de Marly Cruz, directora-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, país que detém a presidência rotativa da CPLP.

Na reunião ficou decidida a realização, em Outubro, de um ciclo internacional de debates que vai contar com a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, em inglês), para que se encontrem as linhas futuras de uma estratégia de cooperação, que permita relançar a actividade das indústrias culturais e criativas, muito focada no audiovisual, para que possam gerar rendimento e emprego, adiantou João Boaventura Ima-Panzo.

O ciclo de debates, com o tema “Indústrias Culturais e Criativas na CPLP: O sector do audiovisual”, terá três painéis e começa no dia 02 de Outubro.

O segundo painel está marcado para dia 07 e o último para o dia 14, adiantou angolano João Ima-Panzo.

Ainda segundo o director de Acção Cultural da CPLP, os Estados-membros consideram que no contexto de pandemia “o audiovisual oferece algumas oportunidades que devem ser exploradas”.

“As pessoas têm direito a ter cultura e lazer num contexto de pandemia” e há formas de lhes dar isso sem prejudicar as regras a que a covid-19 obriga, “daí o foco no audiovisual”, acrescentou.

A CPLP integra Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

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China lança mecanismo para restringir atividades de empresas estrangeiras

Expresso das Ilhas - 7 ore 34 min fa

De um modo geral, menciona uma série de situações que podem colocar as empresas numa futura "lista de entidades não fiáveis", passíveis de multas, restrição de atividades ou entrada de material e de pessoal na China.

Esta lista incluirá as empresas cujas atividades "causem dano à soberania nacional da China e aos seus interesses em matéria de segurança e de desenvolvimento" ou que violem "as regras económicas e comerciais internacionalmente aceites", de acordo com o Ministério.

Este anúncio surgiu depois de os Estados Unidos terem proibido o descarregamento, a partir de domingo, das aplicações TikTok e WeChat dos gigantes chineses ByteDance e Tencent, respetivamente.

Em comunicado, o Ministério do Comércio chinês acusou hoje Washington de intimidação ao proibirem o descarregamento, da TikTok e da WeChat, e ameaçou retaliar.

"Se os Estados Unidos persistirem nas suas ações unilaterais, a China tomará as medidas necessárias para proteger de forma resoluta os direitos e os legítimos interesses das empresas chinesas", de acordo com a nota.

As tensões entre os Estados Unidos e a China estão a aumentar, desde agosto, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, em campanha eleitoral para a reeleição, apresentou um ultimato à TikTok, que acusou de espionagem industrial a favor de Pequim, sem ter divulgado quaisquer provas.

O gigante das telecomunicações chinês está também numa "lista negra" norte-americana para a impedir de adquirir tecnologias dos Estados Unidos indispensáveis aos telemóveis que produz. Washington estão também a pressionar a Europa para que exclua a Huawei das futuras redes de telecomunicaçoes móveis de quinta geração (5G).

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Autárquicas 2020 : Terminou o prazo para a entrega de candidaturas

Expresso das Ilhas - 7 ore 48 min fa

Há 61 candidatos às 22 autarquias do país. O processo de entrega de candidaturas nos tribunais de comarca terminou esta terça-feira.

De Santo Antão à Brava há candidaturas com o apoio dos partidos ‘tradicionais’ e há um aumento do número de candidaturas independentes relativamente às autárquicas de 2016. Sal, Ribeira Grande de Santo Antão, São Vicente, Tarrafal de São Nicolau, Praia, São Domingos, Santa Catarina de Santiago, Tarrafal de Santiago e São Filipe são os concelhos onde este ano há listas independentes a concorrer neste ciclo eleitoral.

As listas vão agora ser analisadas pelos diferentes juízes de comarca e só depois de cumprido todo esse processo é que as candidaturas serão, ou não, aceites para concorrer às autárquicas que se realizam em Outubro.

Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE) estão recenseados um total de 329.852 eleitores que poderão votar nas eleições autárquicas.

Código de conduta

Para estas eleições a CNE preparou um código de conduta para os partidos políticos e cabeças-de-lista evitarem potenciar o contágio da covid-19 durante a campanha para as eleições autárquicas de 25 de Outubro.

Este termo de compromisso, que vai ser subscrito por todos os partidos políticos e cabeças-de-listas vem juntar-se às instruções da Direcção Nacional de Saúde (DNS) e da própria CNE, ainda segundo a presidente do órgão público superior da administração eleitoral em Cabo Verde.

A presidente apelou ao bom senso dos candidatos e partidos políticos, mas também ao cumprimento das deliberações da CNE, sob pena de estarem a cometer um crime de desobediência, punido conforme o Código Eleitoral.

“É do bom senso no sentido de chegarmos a um entendimento sobre as medidas, mas chegando a consenso sobre essas medidas e essas medidas sejam traduzidas em deliberação da CNE e essas deliberações não serem impugnadas ou sendo impugnadas não são consideradas ilegais, resulta para os seus destinatários uma obrigatoriedade do seu cumprimento”, mostrou.

As eleições de 2016

De recordar que em 2016, aquando das últimas eleições autárquicas, o MpD venceu a maioria das Câmaras Municipais. De 22 concelhos apenas Santa Cruz, Mosteiros, Ribeira Brava e Boa Vista não ficaram nas mãos do MpD.

2016 foi, também, o ano em que se registou a terceira maior taxa de abstenção na história do país com 41,7% dos eleitores a optarem por não irem às urnas votar. São Vicente (47,2%), Sal (42,6%) e Praia (56,5%), foram os concelhos onde a ausência nas urnas registou os valores mais altos. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 981 de 16 de Setembro de 2020.

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Pandemia catapulta importância da internet

Expresso das Ilhas - 7 ore 48 min fa

O piso da Unitel T+, em Chã de Areia (Praia) onde há poucos meses trabalhavam mais 60 pessoas está hoje praticamente vazio. Por altura do estado de emergência, que começou a 29 de Março e na Praia se prolongou por dois meses, quase toda a gente foi colocada a trabalhar em casa, em regime de tele-trabalho e a tendência organizacional impulsionada pela pandemia da COVID-19, mantém-se.

“Não foi fácil, mas é positivo porque mostra que há outras formas de se adaptar em termos organizacionais que podem ajudar o país”, diz Nuno Levy, Director Comercial da Unitel T+.

Um cenário semelhante ocorreu (e ainda ocorre) em várias empresas públicas e privadas, dos mais variados ramos, onde o tele-trabalho, que até agora era um regime previsto na lei, mas de uso residual, foi a solução.

“A pandemia da COVID-19 veio mudar muita coisa. Trouxe como é óbvio muitos problemas, mas veio também chamar a nossa atenção para as grandes potencialidades das tecnologias de informação”, aponta Isaías Barreto da Rosa, PCA da Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME) e especialista em TIC, que também destaca o trabalho remoto como uma das grandes mudanças que a pandemia trouxe. E está a ser, no seu entender, uma mudança positiva.

“Acho que este é um grande aprendizado e acredito que essa dinâmica vai continuar fortemente no futuro”, defende.

Outros fenómenos

Ao fenómeno do tele-trabalho, juntou-se a corrida às TIC na educação, agora imprescindíveis para que os alunos possam prosseguir currículos escolares, mesmo com as escolas fechadas.

Para trabalhadores, alunos, enfim, pessoas em casa, foi a internet que permitiu manter alguma normalidade, incluindo o contacto social, inato, mas que com o distanciamento imposto passou a ser essencialmente realizado sob outro formato. “Desmaterializado”.

Por todo mundo, disparou o uso de aplicativos para vídeo conferências, para diversos fins, especialmente aqueles que permitem a participação de várias pessoas. O caso mais paradigmático talvez seja, entretanto, o da Zoom, que cresceu cerca de 19 vezes em três meses. Em Março, a plataforma teve mais de 200 milhões de utilizadores diários, segundo o presidente executivo, Eric Yuan, contra os cerca de 10 milhões de Dezembro.

Não havendo dados concretos sobre Cabo Verde, o fenómeno destas plataformas deverá ser semelhante (à escala, claro).

“Actualmente, a comunicação entre as pessoas passou a ser feita maioritariamente através de dados”, aponta José Luís Barros, Director Geral da CVMultimédia (braço da CVTelecom que lida com a internet).

E ainda outro fenómeno dos últimos meses, impulsionado pela pandemia, foi o “aumento exponencial do comércio electrónico” a nível mundial, e também cá.

Lá fora, enquanto muitas empresas enviavam os trabalhadores para lay-off, líderes da área, como a Amazon reforçavam as equipas face ao boom de pedidos. Em Cabo Verde, várias empresas da área viram o negócio crescer, novas empresas surgiram e mesmo projectos que já estavam em processo de criação, foram acelerados e implementados com mais rapidez para dar resposta à procura online. Mercearias e outros vendedores de lojas alimentares também correram para o digital – e às entregas ao domicílio - para ganhar novos clientes e fidelizar os antigos.

“Hoje temos uma panóplia vastíssima de serviços que nos permitem adquirir produtos de primeira necessidade, inclusive frutas, através da internet. Podemos ‘ir’ ao mercado municipal da Praia, através da internet, portanto eu diria que a pandemia despertou ainda mais a atenção das pessoas para a potencialidade da internet nos mais diversos campos”, reforça o PCA da ARME.

Assim, é hoje consensual que, tal como a História das crises da humanidade nos mostra, a pandemia causada pelo novo coronavírus veio adiantar o futuro, transformando o uso da internet na ‘coisa mais normal do mundo’…

Pandemia mudou padrões de consumo em Cabo Verde

Em Cabo Verde, o acesso à internet é feito sobretudo através do telemóvel. “Os dados apresentados pelo regulador relativos ao 2º trimestre de 2020, indicam que 89% dos clientes que acederam à internet, fizeram-no através de dispositivos móvel. Essa é uma tendência mundial, que se deve a alguns fatores, nomeadamente a mobilidade do serviço, o controlo dos gastos individuais, o preço dos equipamentos e o tipo de conteúdo mais procurado na internet”, destaca José Luís Barros, da CVMultimédia. Quanto ao conteúdo, de acordo com os dados do INE, 90% dos internautas cabo-verdianos acedem principalmente para utilizarem as redes sociais.

Com a pandemia, nas duas operadoras, aumentou o acesso dos cabo-verdianos à net, via telemóvel. Concomitantemente, uma vez que devido ao confinamento as pessoas estiveram mais tempo em casa, houve também um aumento em casa e a “internet fixa passou a ser mais valorizada.”

“Havia uma tendência de crescimento na procura desde o 2º trimestre de 2019, que se acentuou no 2º trimestre de 2020, período a seguir à Declaração do estado de emergência”, refere o responsável da CVMúltimédia, citando “um aumento do parque de clientes da internet fixa de 8% em relação ao trimestre anterior e 19% face ao período homólogo do ano anterior.”

Mais tempo em casa, aulas em plataformas vídeo, jogos e streaming (a Netflix, por exemplo, também cresceu imenso em todo o mundo, e certamente Cabo Verde não é excepção), tudo isto, para além das redes sociais contribuiram então para o aumento considerável de consumo e essa demanda da fixa.

Se houve mudanças na forma de acesso, também é de destacar, os horários do mesmo, principalmente durante o estado de Emergência.

“Tínhamos uma rotina de consumo bem identificada, com horas de ponta”, conta Nuno Levy, da Unitel T+. Às 8h havia um pico, com a chegada as pessoas ao trabalho, que diminuía durante o dia. Depois, à noite, já em casa, o consumo voltava a subir, com destaque para o uso das redes sociais. “Essa tendência desapareceu completamente. As pessoas começaram a consumir muito mais banda e muito mais horas, até as tantas da madrugada”, explana.

Mas o aumento da necessidade de volume de consumo de internet não trouxe aumento da facturação às operadores. Pelo contrário, houve perdas.

A começar pelo blackout turístico.

“Cabo Verde tinha um mercado interessantíssimo de turismo, que é um mercado que, digamos, nem é preciso correr atrás. O turista liga o seu telefone e consome. Havia uma receita que em final de Março acabou”, lamenta Nuno Levy.

E esta era uma receita considerável. Basta relembrar que nualmente afluíam ao país “700 ou 800 mil turistas, o que é mais do que a população residente”.

Além disso, o lado empresarial: por todo o país, “deu-se o lockdown, e alguma empresas em apuros começaram a pedir cancelamento de serviços, ou a redução/suspensão dos contratos. Tivemos, pois, duas grandes perdas: no roaming e o sector empresarial”. E a nível desta “retoma´, tudo continua muito incerto.

O aumento de pedidos das empresas para fornecer serviço internet aos seus colaboradores em tele-trabalho, também não compensou essa quebra.

E o cenário é comum a ambas as operadoras.

“Quer isso dizer que, o aumento da procura no segmento residencial, per si, não tem sido suficiente para compensar a queda na faturação do segmento empresarial, tendo em conta o seu peso na faturação global da empresa”, resume José Luís Barros.

Internet, um direito fundamental

Entretanto, “há já alguns anos que as Nações Unidas falam do acesso à internet como um direito humano fundamental”, como lembra Isaías Barreto da Rosa, mas nunca o tema esteve tão na ordem do dia como em tempos de pandemia.

O debate em Cabo Verde também já não é novo. Há algum tempo que se fala em “considerar o acesso aos serviços de telecomunicações”, nomeadamente o acesso à internet como um bem essencial à semelhança da água ou da eletricidade. E esse é, inclusive, um objectivo do governo cuja concretização começa a dar-se (ver entrevista).

“É uma questão importante: a de nós democratizarmos ou massificarmos o acesso à internet. E nesse aspecto eu diria que aqui em Cabo Verde temos estado a fazer progressos notórios na matéria”, considera o PCA da ARME. Um indicador disso mesmo é, conforme refere, a elevada taxa de penetração da internet no país: cerca de 80%, muito acima da média mundial que se situa entre os 60 a 62%.

Cabo Verde tem, no entender de Isaías Barreto da Rosa, um trabalho interessante feito, mas ainda um longo caminho a percorrer”.

“Precisamos de fazer os preços das linhas de acesso à internet ainda mais acessíveis e também disponíveis para todos. Neste quadro, todos nós, cada um no âmbito das suas responsabilidades, temos um papel importante a desempenhar”, No campo das responsabilidades específicas da reguladora, a ARME tem estado a trabalhar para garantir que haja um bom ambiente concorrencial, garante o presidente, “para que todos os players do sector tenham acesso ao mercado em condições concorrenciais e para que desta forma, em última instância, o próprio consumidor final possa vir a ter um produto com um preço mais acessível.”

Para o Director Geral da CVMultimédia, “hoje em dia, parece não haver dúvidas de que a internet é um bem essencial e com a digitalização das sociedades e da economia, será cada vez mais importante.”

Passos pré-pandémicos já tinham sido dados e José Luís Barros nega que os preços do consumidores possam ser, num panorama geral, considerados muito elevados. “Cabo Verde ocupa o 3º lugar no ranking de países Africanos com preço mais baixo de internet, quer seja fixa, quer seja móvel, de acordo com o Relatório sobre o preço dos serviços de telecomunicações, relativos ao ano 2019, divulgado pela União Internacional das Telecomunicações no passado mês de Junho”, justifica.

Já o Director comercial da Unitel T+, Nuno Levy, destaca que embora não haja dúvidas de que a internet deve ser considerada um bem internacional, antes é preciso olhar a cadeia de valor e outros aspectos.

“Não pode simplesmente impor o bem essencial onde o mercado está desequilibrado” que bem entende, critica. Antes de decretar, então, o bem essencial, “há a regular as infra-estruturas de fibra óptica e o preço de internet do grossista internacional e evitar o monopólio”, resume.

Desafios e custos

Se o novo mundo digital é uma oportunidade para os operadores, “que estão no centro desta revolução”, é tambem um desafio.

Desde já, por serem “os agentes encarregados de facilitar a conectividade de todo um ecossistema”, aponta José Luís Barros. A situação pandémica veio, aliás, mostrar como o “papel das telecomunicações está a ser fundamental para garantir o normal funcionamento desse ecossistema, contribuindo directamente para a atenuação da recessão económica, a nível global”.

À responsabilidade, junta-se o aumento substancial do tráfego, que também já se vinha a manifestar antes da pandemia, e que obriga a investimentos na rede, cibersegurança, maiores custos operacionais e de manutenção.

Na verdade, referem as duas operadoras, pela caracterísiticas geográficas e populacionais de Cabo Verde, os custos são enormes.

Ambos responsáveis, coincidentemente, apontam o exemplo do Senegal, um país plano, que necessita de menos antenas (e as antenas custam o mesmo que as usadas em Cabo Verde) e onde uma antena facilmente serve uma população de 1 milhão de utilizadores.

“Estamos a falar num custo por cada mega produzido, muito inferior ao produzido em Cabo Verde”, resume o Director Geral da CVMúltimédia.

Da parte da Unitel T+, Nuno Levy acrescenta o elevado preço de licenças, do espectro electromagnético, mas também o custo de energia. “Mais de 30% dos nossos custos são custos de energia”, diz. Havendo ainda locais que nem sequer têm corrente eléctrica, para manter a rede o custo torna-se ainda maior. “Temos várias antenas que funcionam 24h com geradores

Um outro problema, apontado pela empresa de capital privado é o preço da internet comprado ao grossista internacional e o facto, reitera, de todos os anéis da infra-estrutura de fibra nacional estarem “sob a chancela do monopólio da CV Telecom”.

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Futuro

O presente é incerto e o futuro também. Mas “a pandemia da COVID-19 trouxe alterações da nossa relação com a internet, e muitas dessas alterações vão continuar a existir numa dinâmica bastante forte mesmo no pós-pandemia”, considera Isaías Barreto da Rosa.

“O nosso futuro, nós acreditamos, é essa veia na digitalização do país. Sem dúvida esta crise acelerou a digitalização”, diz Nuno Levy da Unitel T+.

E “a crescente conectividade de Cabo Verde permite continuar a progressão no digital aproximando-o de países mais maduros digitalmente”, acredita por seu turno , José Luís Barros da CV Muiltimédia.

O que é certo é que não há regresso. A nova normalidade é digital.  

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 981 de 16 de Setembro de 2020.

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Morreu Juíza do Supremo Tribunal dos EUA Ruth Bader Ginsburg

Expresso das Ilhas - 7 ore 49 min fa

Em comunicado, o tribunal indicou que a juíza "morreu esta noite [sexta-feira] rodeada pela família, na sua casa, em Washington".

O juiz-presidente do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, John Roberts, afirmou que o país "perdeu uma jurista de dimensão histórica".

"Perdemos uma colega estimada. Hoje estamos de luto, mas confiantes de que as gerações futuras recordarão Ruth Bader Ginsburg como nós a conhecemos, uma incansável e decidida campeã da justiça", indicou.

Em julho, Ginsburg tinha anunciado que estava a fazer quimioterapia para lesões no fígado, a última das várias batalhas que travou contra o cancro desde 1999.

Nos últimos anos como juíza do Supremo Tribunal, Ginsburg, conhecida pelas iniciais "RBG", afirmou-se como líder inquestionável da ala progressista da instituição e na defesa dos direitos das mulheres e das minorias, conquistando admiradores entre várias camadas da população norte-americana.

A morte da juíza representa um duro golpe para os progressistas norte-americanos e poderá alterar o equilíbrio da instituição em benefício dos conservadores, de acordo com vários observadores.

A questão da substituição de RBG vai dominar o final da campanha para as presidenciais norte-americanas, previstas para 03 de novembro.

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Cabo Verde joga com Guiné Conacri e Andorra

Expresso das Ilhas - 7 ore 51 min fa

Segundo uma nota da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF), o jogo amigável vai acontecer no Estádio Municipal de Albufeira, em Portugal.

Três dias antes, no dia 07 de Outubro, Cabo Verde defronta, também  num  jogo particular, a Andorra, no Estádio Nacional daquele principado independente, situado entre a França e a Espanha.

A selecção de Cabo Verde vai voltar a competir oficialmente entre 09 e 17 de Novembro, defrontando o Ruanda, em jornada dupla das eliminatórias do CAN’2022, conforme a Confederação Africana de Futebol (CAF).

Esses jogos referem-se à terceira e quarta jornadas de qualificação do Grupo F, onde também integram Moçambique e os Camarões.

O organismo que gere o futebol africano marcou igualmente a data disponível, de 05 a 13 de Outubro, para os jogos amigáveis entre selecções.

Os Camarões, que vão receber a fase final da competição, lideram o grupo F de apuramento para o CAN com quatro pontos, os mesmos que Moçambique, enquanto Cabo Verde tem dois e Ruanda ainda não pontuou.

Para o Mundial do Qatar, Cabo Verde integra o Grupo C juntamente com a Nigéria, República Centro Africana e Libéria.

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Empresas de alimentação e petróleo à espera do regresso da confiança no mercado cabo-verdiano

Expresso das Ilhas - 8 ore 16 min fa

“A SOCIAVE especializou-se no fornecimento de ovos e frangos aos hotéis e o nosso plano de negócios era sempre crescer com o turismo”, diz João Santos ao Expresso das Ilhas. Este era o plano original, o turismo tem aumentado nos últimos anos e, naturalmente, também a produção da SOCIAVE foi acompanhando o desenvolvimento do turismo. “Com a queda acentuada e com a paragem do sector do turismo, a partir de Março, é natural que tenhamos perdido um grande nicho do nosso negócio”.

O mercado de turismo representava para a SOCIAVE cerca de 30 por cento do negócio, e não era só o Sal, Santo Antão também estava com numa dinâmica de crescimento, São Vicente já começava a dar sinais, a Boa Vista, mais esporadicamente por causa dos transportes marítimos.

“No início as expectativas eram outras”, explica o empresário, “que as coisas poderiam ser resolvidas num curto espaço de tempo, mas as expectativas mudam a cada dia e tivemos de travar a produção. Reduzimos a produção de ovos e frangos”.

Esta é uma tendência mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a doença atingiu grandes proporções, muitos animais, que estavam destinados à produção, foram abatidos e descartados.

Em São Vicente, além de parar a produção, o SOCIAVE procurou outros mercados e começou a exportar para a Guiné-Bissau. “Para tentar encontrar alternativas e para não dspedir ninguém, esse é o objectivo”, sublinha João Santos. “Temos um grupo grande de trabalhadores, são trabalhadores altamente qualificados e despedir esses trabalhadores seria provocar mais um problema ao país, mas também à empresa, assim que as coisas se normalizarem. Este é que tem sido o nosso dia-a-dia, a procurar alternativas”.

Mesmo assim, estas exportações não compensam a perda do negócio em Cabo Verde. “De maneira nenhuma, nem em quantidade nem em preço, porque o Sal representava uma grande percentagem do consumo da nossa produção. Na Guiné Bissau, o preço a que vendemos é praticamente o do custo de produção”, refere o administrador da SOCIAVE. “Porque para escoar, para ganhar escala e para sermos concorrenciais na Guiné, os nossos preços teriam de ser muito competitivos, até porque temos uma forte concorrência de Portugal e do Senegal. Infelizmente, há cerca de um ano que estamos a tentar ter o estatuto de exportador da CEDEAO, tem sido um processo moroso e complicado e estamos a pagar na Guiné-Bissau 35 por cento do valor da mercadoria”

Este valor não seria cobrado se a SOCIAVE já tivesse conseguido este estatuto e, segundo João Santos, a empresa passaria imediatamente a ter melhores preços do que a concorrência, o que está a emperrar o processo, diz o empresário, é a administração pública cabo-verdiana. “Neste país, tudo o que tem a ver com a função pública, é um problema. Para a CEDEAO, com excepção da MOAVE, que conseguiu o certificado há mais de um ano, ninguém mais neste momento tem o certificado de origem. Esta é uma máquina administrativa que não se entende, para ter uma ideia, vou falar de valores, já exportei para a Guiné Bissau cerca de 30 mil contos, são trezentos mil euros, é um valor considerável, são divisas que estão a entrar no país, imagine se não tivesse pago o despacho na Guiné daria qualquer coisa como 10 mil contos, para além que se não estivéssemos a pagar o despacho, teríamos vendido mais, porque seríamos mais competitivos do que os produtos que vêm de Portugal ou doutros países. É necessário que as pessoas ponham a mão na consciência. Não estou a pedir que ninguém facilite, que a máquina administrativa facilite, mas que, pelo menos, não atrapalhe”.

Como resultado desta conjuntura, os investimentos previstos pela SOCIAVE estão em espera. “Concluímos os investimentos programados para redução de custos, principalmente nas energias renováveis. Já montámos painéis solares, que vai reduzir em cerca de 30 por cento o consumo, estamos a terminar uma estação de tratamento de dejetos para a produção de energia biogás, investimentos que vão reduzir os custos de contexto, mas aumento de produção, ou outros investimentos em calha, não temos”, diz João Santos.

E o futuro é ainda um grande ponto de interrogação. “Ninguém, até agora, pode prever quando é que isto começa a normalizar”, sublinha o empresário. “Agora, à semelhança do que se tentou com a retoma do Sal, quando a ilha não tinha nenhum caso positivo, também já se deveria estar a vender o eixo São Vicente/Santo Antão. É um eixo seguro, os casos de São Vicente estão controlados, penso que o governo já devia estar a pensar numa retoma, mesmo que a título experimental, principalmente para o turismo rural. O de massa pode ser prematuro, mas o de pequena escala poderia já estar a ser trabalhado”.

“Este ano”, conclui João Santos, “e digo com toda a sinceridade, é um ano perdido. Aquele que conseguir chegar ao fim de Dezembro ainda com a cabeça acima da água já será bom. Espero a retoma, com ritmo normal, só para meados do próximo ano com a descoberta e a aplicação das vacinas, e é para essa data que estamos a prever a retoma da produção, para o primeiro trimestre de 2021”.

Os dois impactos nas petrolíferas

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA) com o isolamento social para conter a expansão da COVID-19, a procura por petróleo pode cair em 20%, equivalente a 20 milhões de barris por dia. Sem conseguir ainda estimar nem a duração nem os efeitos económicos da pandemia, o preço do petróleo caiu para o preço mais baixo em 17 anos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados, onde se inclui a Rússia - grupo conhecido por OPEP+ - não conseguiram alcançar um acordo para cortar a produção mundial de petróleo, o que baixaria a oferta para responder à diminuição da procura. No seguimento, russos e sauditas, dois dos principais produtores globais de petróleo, digladiaram-se numa guerra de preços, deteriorando os orçamentos dos países produtores de petróleo e lesando a indústria. Calcula-se que estes últimos seis meses deitaram abaixo a última década de crescimento no sector.

“O nosso negócio internacional, em 2019, representou 69 por cento dos volumes distribuídos”, diz ao Expresso das Ilhas Abílio Madalena, director-geral da ENACOL, “dos quais, metade é aviação e a outra metade é transporte marítimo internacional, bunkering. Em resumo, temos um impacto muito significativo”.

“Em relação ao transporte aéreo”, continua o responsável, “o turismo não existe. Tínhamos dois grandes clientes, a TUI, a maior operadora aérea em Cabo Verde, e a Cabo Verde Airlines, que neste momento era o segundo maior operador, estes dois clientes estão parados. Só para ter uma perceção em termos de números, o mercado está 40 por cento abaixo do volume, comparado com o ano passado”.

Este contexto provocou uma quebra acentuada em termos de facturação, porque à quebra de mercado, à volta de 40 por cento, junta-se a quebra significativa no preço dos produtos petrolíferos, à volta dos 60%. “A facturação apanhou com estes dois efeitos, volume e preço dos produtos petrolíferos”, explica Abílio Madalena, “o impacto deve andar nos 65% em relação ao que era a facturação do ano passado. Embora façamos a gestão do negócio por volumes e margens e não por facturação, neste processo, as margens também tiveram um impacto forte, fundamentalmente porque neste processo de lockdown a partir de Março, o que aconteceu é que tínhamos stocks elevados para garantir a segurança dos abastecimentos ao país, stocks comprados a preços de mercado nos meses de Janeiro e Fevereiro, valor esse que no espaço curto de um mês passou para metade. E portanto, tivemos prejuízos brutais, nomeadamente em Abril, Maio e Junho, o tempo que levámos a colocar esses stocks no mercado. No fundo, tivemos de comercializar produtos com margens negativas”.

Como noutros sectores, a ENACOL teve de adiar o plano de investimentos para 2020. “Concretizámos cerca de 20 por cento, e estamos a alocar grande parte dos investimentos para 2021 e 2022. Não estamos a pôr de parte qualquer investimento, vamos mantê-los, até porque a maioria têm a ver com segurança e questões ambientais e temos de fazê-los. O layoff não está em cima da mesa. Todos queremos acreditar que atravessamos a pior fase da pandemia e que estamos a sair desta crise, e eu acredito que sim, mas também acredito que a saída não vai ser fácil”.

Num mercado dos combustíveis super competitivo, a nível global teme-se uma guerra de preços entre gasolineiras para recuperarem as quotas de mercado. Abílio Madalena náo acredita que o mesmo aconteça em Cabo Verde. “Posso falar por mim, quero acreditar que não, porque o mercado em Cabo Verde já é muito competitivo, até porque há também o mercado internacional com quem concorremos. Na aviação não tanto, mas no transporte marítimo em Cabo Verde concorremos com a região, Dakar, Canárias. Ou seja, a competitividade já existe, as margens já são apertadas, por isso não se pode entrar numa guerra de preços para cometer a loucura de perder dinheiro. Numa perspectiva de bom senso e de continuidade da actividade, não me parece razoável”.

Independentemente do sector, esta crise económica é uma situação inédita. Já houve crises em que um sector foi afectado e outros não, e esta afecta todos. “Nunca como este ano todos os meses estamos a fazer previsões”, conclui o director-geral da ENACOL. “Há dois meses, dizia que se nós, em 2021, tivermos um ano próximo de 2019, seria excelente. Na altura acreditava que isso seria possível, hoje já não acredito. A retoma vai ser mais lenta do que aquilo que se previa há dois meses. Provavelmente vamos ter consequências em 2021 e 2022. A recuperação externa vai depender do turismo, assim como do transporte marítimo internacional. Porque ambos têm a ver com a confiança. Enquanto isso não acontecer, mais devagar vai ser o processo”. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 981 de 16 de Setembro de 2020.

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Festivais serão realizados apesar da COVID-19

Expresso das Ilhas - 8 ore 17 min fa

O grupo Juventude em Marcha, da Ilha das Montanhas, que tem viajado pelo mundo com os seus trabalhos teve que ficar no país. E com isso aproveitou para produzir um telefilme sobre COVID-19 com o propósito de comunicar e sensibilizar a população de Porto Novo para os cuidados que cada um deve ter para evitar a propagação do vírus. O telefilme foi realizado no âmbito da intervenção municipal aos efeitos de COVID-19 financiado ao município do Porto Novo pela Cooperação Luxemburguesa.

De recordar que, devido à pandemia da COVID-19, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas cancelou o apoio financeiro aos projectos culturais para este ano, incluindo a verba a disponibilizar ao Festival Mindelact referente ao protocolo assinado entre as partes.

Mesmo assim, a organização decidiu realizar a 26ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact, que acontece todos os anos na cidade do Mindelo e traz artistas de vários países.

Num comunicado, a organização indica que o Mindelact 2020 vai acontecer, embora numa versão mais reduzida, entre os dias 12 e 15 de Novembro. Segundo a organização, foi uma decisão “altamente ponderada”, depois de consultados os seus parceiros, companhias, grupos, artistas, gestores, empresas, amigos e entidades várias envolvidas no processo.

A organização avança que “a lotação dos espaços será limitada”, pelo que vai utilizar “ferramentas de transmissão” e haverá possibilidade de ver alguns dos espectáculos, em directo, mediante determinadas condições “que a seu tempo serão anunciadas”.

“Acreditamos que a arte, a cultura e as expressões artísticas devem ter, e terão certamente, um papel fundamental na recuperação desta crise global, quer do ponto de vista da saúde emocional das populações, quer do ponto de vista da recuperação económica dos países, e que este é um bem de primeira necessidade que merece ser cuidado e promovido. Faremos pois a nossa parte, neste acto de resistência, amor pelo teatro e pelo nosso país, com a colaboração de todos, pleno de boas energias, mas com consciência do complexo panorama contemporâneo, ao qual, saberemos dar a devida resposta”, lê-se no comunicado.

Na mesma linha, a companhia de teatro Fladu Fla vai realizar o Festival Internacional do Teatro do Atlântico (TEARTI), segundo avançou o seu presidente Sabino Baessa.

Sabino Baessa explicou que será um festival diferente dos anos anteriores devido à pandemia da COVID-19. E que na próxima semana vão fechar a programação do festival, sem avançar a data da sua realização.

Tendo em conta a situação que o mundo e o país vive, este ano o festival não contará com a presença de muitos grupos, à semelhança dos anos anteriores. A intenção da organização de levar o festival para outros pontos do país também vai ter que esperar para uma outra edição.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 981 de 16 de Setembro de 2020.  

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